Para reduzir filas, Ismael Alexandrino defende compra de serviços de hospitais privados
Responsável pela regionalização da saúde em Goiás entre 2019 e 2022, o deputado federal diz que o modelo ajuda o SUS a enfrentar um dos principais gargalos do setor no Brasil

O deputado federal Ismael Alexandrino (PSD) defendeu que estados e municípios comprem a capacidade ociosa dos hospitais privados para enfrentar um dos principais gargalos da saúde pública no Brasil: o tempo de espera por exames e cirurgias eletivas. “Todo hospital privado hoje tem de 20 a 30% de capacidade ociosa. O centro cirúrgico fica parado, com capacidade de fazer cirurgias”, afirmou o parlamentar em entrevista ao programa De Olho na Política, da TV Sucesso/Band.
Responsável pela regionalização da saúde em Goiás entre 2019 e 2022, o ex-secretário de Saúde explicou que o modelo resolve um cálculo que hoje pesa contra o SUS. “O que é que é mais caro? Resolver uma cirurgia de cálculo renal precocemente ou esperar esse cálculo piorar, desenvolver, e o paciente ter necessidade de hemodiálise e internação de UTI? Claro que o segundo caso é muito mais caro”, argumentou. “É melhor fazer um investimento menor com a parceria privada. Não estou falando de o privado assumir hospitais públicos, mas de aquisição de serviços”, reforçou.
Ismael Alexandrino também argumentou que a medida beneficia diferentes pontas da cadeia: o empresário, que recebe recursos injetados na operação do hospital; os funcionários, que passam a receber em dia; e o paciente, que sai da fila. Segundo ele, o Ministério da Saúde acompanha os dados de produção dos estados, e o aumento de procedimentos realizados abre caminho para elevar o teto de recursos repassados aos estados e municípios.
Tabela do SUS
Na entrevista, o parlamentar tratou ainda da defasagem da tabela SUS, um dos temas mais sensíveis para a categoria médica, da qual ele também faz parte. Ismael Alexandrino relatou que a Câmara aprovou nos últimos quatro anos a possibilidade de reajuste anual para as Santas Casas, o que deve representar cerca de R$ 2 bilhões em aporte ao longo do período. Mas admitiu que boa parte da tabela de procedimentos do SUS segue com valores de 2015 e 2016, o que afasta hospitais privados da prestação de serviço pela tabela sem complementação, como ocorre em estados como São Paulo.
O deputado defendeu também investimento nas estruturas físicas de instituições filantrópicas de referência em Goiás, caso da Santa Casa e do Hospital Araújo Jorge. Sobre o Araújo Jorge, apontou a necessidade de ampliar a oncologia mesmo após a abertura de unidades em Uruaçu, Itumbiara e Jataí, e do CORA, voltado ao público infantil. “Se não aumentar estruturas, continuará sendo, e tende a agravar, porque a população vai envelhecendo”, disse, ao defender apoio tanto no investimento em equipamentos quanto no custeio mensal dessas unidades.
Novo Hugo
O deputado federal também elogiou a iniciativa do Governo de Goiás de adquirir uma nova estrutura hospitalar para substituir o antigo Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), cuja sede atual tem 36 anos. Ele sugeriu que, após a transição, o prédio antigo passe por uma reformulação geral para se transformar em um hospital oncológico focado, otimizando o patrimônio do estado em uma das áreas de maior demanda na atualidade.




