Ismael defende “guerra contra a obesidade” e cobra prioridade nacional
Deputado critica falta de investimento em merenda escolar e pede que obesidade seja tratada no centro do debate na atenção primária do sistema de saúde

O deputado federal Ismael Alexandrino (PSD-GO) defendeu, nesta quarta-feira (11), que o Brasil declare uma “guerra contra a obesidade”. A declaração foi feita durante o programa Expressão Nacional, da TV Câmara, e resume a tese central do parlamentar: o Brasil e mundo elege muitas batalhas, mas ainda não colocou a obesidade entre suas prioridades e paga caro por isso.
“Tá tendo guerra de tanta coisa, eu acho que a gente podia estabelecer uma guerra contra a obesidade”, disse Alexandrino ao debater caminhos concretos para enfrentar a epidemia que, segundo dados do Ministério da Saúde, já atinge mais de 20% da população adulta brasileira.
Para o deputado, o problema começa antes mesmo de o cidadão chegar ao sistema de saúde. Ele apontou a merenda escolar como um exemplo emblemático do descaso com a prevenção. Segundo ele, enquanto a Constituição determina que 25% dos recursos da educação sejam aplicados no setor, há dificuldade em garantir até mesmo um acréscimo de 30 a 40 centavos por refeição escolar, valor que, segundo ele, poderia fazer diferença na qualidade nutricional do cardápio.
“Esses 30, 40 centavos, tardiamente, com complicações cardiovasculares, doenças psíquicas, infarto agudo do miocárdio, significam muito mais custosos do ponto de vista financeiro na saúde do que na educação”, afirmou.
O raciocínio do parlamentar é de longo prazo: o que parece caro hoje, na ponta do orçamento da educação, é barato diante de uma internação em UTI daqui a décadas. “Daqui 40 anos, todo esse gasto, a gente vai observar que não foi gasto, foi investimento. Porque 15 dias de internação muito difícil em UTI paga uma vida inteira desse investimento”, disse.
Da prevenção ao bisturi
Ismael Alexandrino deixou claro que a “guerra” que defende não se restringe à prevenção. O deputado cobrou atenção também para os milhões de brasileiros que já são obesos e precisam de tratamento, medicamentoso, com os chamados análogos de GLP-1 (as “canetas metabólicas”), ou cirúrgico, por meio da cirurgia bariátrica.
Ele citou como exemplo um projeto apresentado pelo colega deputado Mário Heringer (PDT-MG), que também participou do programa, sobre a quebra de patente (licença compulsória) das “canetas emagrecedoras” Mounjaro e Zepbound (substância tirzepatida). “Após análise mais detida, considerei pertinente e votou favorável a proposta”, disse. O parlamentar também defendeu maior acesso à cirurgia bariátrica pelo SUS, hoje limitado tanto por restrições orçamentárias quanto por barreiras burocráticas.
Para Ismael Alexandrino, a obesidade precisa percorrer o mesmo caminho que a hipertensão e o diabetes trilharam nos anos 1990: sair da margem e entrar no centro da atenção primária à saúde. “Nós precisamos eleger a obesidade como uma doença a ser enfrentada em todos os níveis, tal qual foi e ainda é a hipertensão e o diabetes”, afirmou.
Ex-secretário de saúde de Goiás, ele defendeu ainda o fortalecimento da atenção secundária, nível intermediário entre os postos de saúde e os hospitais, como forma de evitar que pacientes com obesidade só cheguem ao sistema quando já apresentam complicações graves.




