Política

PL de Ismael tem potencial de gerar até US$ 19,8 bilhões em benefícios econômicos, aponta estudo científico

Artigo publicado na revista internacional Environmental Development apresenta evidências robustas que fortalecem o PL 909/2024, de autoria do deputado federal Ismael Alexandrino, que propõe a criação do Corredor de Biodiversidade do Araguaia

Um estudo científico recentemente publicado na revista internacional Environmental Development traz dados inéditos que reforçam a urgência e a viabilidade econômica do Projeto de Lei 909/2024, de autoria do deputado federal Ismael Alexandrino. A proposta prevê a formalização do Corredor de Biodiversidade do Araguaia (ABC), uma faixa estratégica de 40 km de largura ao longo dos rios Araguaia e Tocantins, conectando os biomas Amazônia e Cerrado.

Ainda de acordo com outra pesquisa publicada na revista internacional Land Use Policy, a implementação plena e a restauração progressiva deste corredor ao longo de um horizonte de 50 anos podem gerar um benefício econômico líquido estimado em até US$ 19,8 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões), com base em modelos amplamente reconhecidos de valoração de serviços ecossistêmicos.

Esses benefícios incluem o fortalecimento da polinização agrícola, a estabilização do solo, a segurança hídrica e o sequestro de carbono, elementos essenciais não apenas para a conservação ambiental, mas também para a sustentabilidade de longo prazo do agronegócio na região.

Um “GPS” para os municípios

O principal diferencial do estudo publicado na Environmental Development é a criação do Índice de Pressão Socioambiental (SPI), uma ferramenta inédita que permite identificar, com alta precisão, como fatores econômicos, demográficos e climáticos se combinam para pressionar a vegetação nativa.

Pela primeira vez, gestores públicos passam a contar com um diagnóstico técnico capaz de indicar quais dos 108 municípios ao longo do corredor enfrentam maior pressão socioambiental e onde ações de conservação e restauração podem gerar maior retorno ambiental e social.

“O estudo não apenas aponta a necessidade de preservar, mas mostra exatamente onde o crescimento econômico e a expansão do uso da terra estão pressionando a vegetação nativa e onde a restauração pode ser mais eficiente”, explica Leandro Silveira, um dos autores do artigo e fundador do Instituto Onça-Pintada.

Segundo a pesquisa, a região do corredor já abriga 56 unidades de conservação, atualmente fragmentadas e pouco articuladas entre si, o que limita sua efetividade ecológica. A proposta do PL 909/2024 busca justamente integrar essas áreas e alinhar políticas públicas de conservação com estratégias de desenvolvimento sustentável, sem inviabilizar a produção agropecuária regional.

O estudo foi conduzido por uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Instituto Onça-Pintada e Oréades Núcleo de Geoprocessamento.

Os pesquisadores destacam que o corredor é, acima de tudo, uma questão econômica e social. A área abriga cerca de 4 milhões de pessoas, e a degradação ambiental já compromete serviços ecossistêmicos essenciais, como a filtragem da água, a estabilidade do solo, a polinização e a regulação climática.

“Quando a vegetação nativa é suprimida, não são apenas espécies emblemáticas como a onça-pintada que ficam ameaçadas, a própria base ecológica que sustenta a produtividade agropecuária de longo prazo é enfraquecida”, reforça o estudo.

O artigo também revela que, no contexto atual do corredor, fatores climáticos exercem papel secundário na explicação da cobertura vegetal remanescente. O clima define o potencial ecológico da região, mas são as decisões humanas relacionadas ao uso da terra que determinam o resultado final.

Um modelo com potencial global

O PL 909/2024 utiliza a onça-pintada como espécie-guia. Por exigir grandes áreas contínuas de vegetação preservada para sobreviver, sua proteção implica a conservação de ecossistemas inteiros que sustentam tanto a biodiversidade quanto as atividades humanas e econômicas.

O estudo científico corrobora o desenho territorial proposto pelo projeto de lei ao indicar que a faixa de 40 km (20 km de cada lado dos rios) é consistente com a manutenção da conectividade ecológica entre Amazônia e Cerrado. Atualmente, os municípios da região mantêm, em média, cerca de 47% de sua vegetação nativa, mas a pressão crescente da soja e da pecuária em municípios como Bernardo Sayão (TO) e Arapoema (TO) já reduziu essa cobertura a níveis críticos, próximos ou inferiores a 15%.

Ao transformar evidências científicas em diretrizes territoriais claras, o PL 909/2024 posiciona o Brasil na vanguarda internacional da integração entre ciência, economia e política pública ambiental, oferecendo um modelo replicável para outras regiões estratégicas do país.

Link da revista científica sobre o estudo:
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S221146452500291X?via%3Dihub

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